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Cálculo de incerteza de medição – Parte 1

Autor: Categoria: Gestão 7 comentários

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A incerteza de medição é um conceito usado internacionalmente para descrever a qualidade do valor da medição de um instrumento. Então, quando se realiza a calibração de um instrumento, a incerteza é um dos fatores determinantes dos resultados do certificado de calibração.

Dentro da área de metrologia, alguns termos como mensurando, valor de referência, erro, correção, e outros, estão diretamente relacionados com o cálculo de incerteza, pois são fatores que o compõem.

Este artigo tratará dos termos técnicos mais utilizados que servem como base para o cálculo de incerteza.

VIM – Vocabulário Internacional de Metrologia

Para ter maior habilidade nos cálculos e também em elaboração de certificados de calibração, é necessário conhecer o dicionário metrológico. Quem tem mais proximidade com a área, conhece esse dicionário como VIM, que quer dizer Vocabulário Internacional de Metrologia.

Para saber ao certo qual o significado de cada termo utilizado para calcular incertezas, recomenda-se conhecer o VIM.

Um pouco sobre a história

Por volta da metade do século XX, se começou a pensa em parametrizar internacionalmente as definições e termos utilizados na área da metrologia e em instrumentação. Para isso, foram criados três documentos de base, para garantir essa linguagem uniforme em todo o mundo:

  • VIM – Vocabulário Internacional de Metrologia (1984);
  • ISO GUM – Guia para a Expressão da Incerteza de Medição (1995);
  • Norma ISO Guia 25 (1978), que foi revisada e ampliada até chegar na ISO/IEC 17025, que nós conhecemos atualmente.

Sendo assim, o VIM surgiu como um dicionário metrológico, para ajudar a garantir que o mundo todo se referisse aos termos metrológicos na mesma linguagem.

Termos mais utilizados em cálculo de Incerteza

O cálculo de incerteza é feito com base em alguns parâmetros, e como vimos anteriormente, no mundo todo utilizaremos os mesmos padrões para falar sobre eles. Abaixo iremos listar os termos mais comuns vistos nos resultados dos certificados de calibração.

Grandezas físicas

Grandezas físicas são todas as coisas que podem ser medidas, sendo qualitativamente ou quantitativamente. Por exemplo, você consegue saber qual sua altura, quanto você pesa, quanto tempo levou para ler este artigo até o final, entre outros. Em metrologia, podemos citar o exemplo de um manômetro, pois ele mede a qual pressão está submetido. Então, tudo aquilo que você consegue medir é considerado uma grandeza física.

Para um melhor entendimento, as grandezas são divididas em classes. A classe de Massa, por exemplo, abrange todas as unidades utilizadas para medir massa, como quilo (kg), grama (g), miligrama (mg), entre outras.

Mensurando

O mensurando é aquilo que você está medindo, por exemplo, a tela do computador.

Mensurado

O mensurado é aquilo que já está medido. Por exemplo: “medi a tela do computador e verifiquei que mede 17 polegadas”.

Valor de Referência

O valor de referência é utilizado como base para comparação entre entre outros valores de grandezas da mesma classe. Por exemplo, quando você realiza uma calibração, os valores de referência são os pontos daquela calibração.

Erro de medição

Para definir o erro de medição basta comparar os valores mensurados no instrumento e o valor de referência que você definiu. Isto é, o erro é a diferença entre a média observada nas medições do instrumento e o valor de referência.

Tendência de medição

Quando o instrumento de medição não apresenta um indicador com os valores medidos, é necessário um instrumento auxiliar. Por exemplo, na calibração de um peso padrão, ele não possui um display apresentando o resultado. Sendo assim, precisamos utilizar uma balança para estimar as leituras daquela calibração e a média entre elas.

O erro e a tendência possuem a mesma forma de cálculo, porém com conceitos diferentes.

Correção

A correção é o inverso do erro. Então, para definir a correção você precisa calcular a diferença entre o valor de referência e a média das leituras no instrumento.

Mas porque preciso conhecer esses termos!?

Enfim, é essencial que o técnico de laboratório tenha conhecimento sobre os termos mais utilizados nos cálculos de incerteza e sobre o próprio VIM. Assim, será um profissional mais engajado com a área e será reconhecido positivamente pelos clientes.

Isso contribui também para prestar um atendimento mais proativo, sanando dúvidas dos clientes na interpretação dos seus certificados, esclarecendo algum resultado ou termo que o cliente não compreenda, entre outros.

 

Bom, esse foi meu primeiro artigo publicado aqui no Blog. Seria legal saber o que você achou, então pode deixar seu feedback ou dúvida nos comentários.

Nos próximos posts irei falar mais detalhadamente sobre o cálculo da incerteza em si, envolvendo o fator de abrangência, graus de liberdade e os demais termos utilizados no cálculo.

Até mais.